Posteriormente, conheceu Quetura, com quem
se casou e com esta teve seis filhos (Gn 25. 1-4).
Possivelmente, prevendo sua morte, “Abraão deu por herança tudo o que possuía a
Isaque”, seu filho, o filho da promessa (Gn 17.19,21), “porém aos filhos das
concubinas que tinha, deu ele presentes e, ainda em vida, os separou de seu filho Isaque,
enviando-os para a terra oriental” (Gn 25. 5, 6). Nos nossos dias, à luz do Direito
Sucessório, esta atitude paternal não prospera em razão da obrigatoriedade de se
proceder a justa partilha dos bens da herança entre os herdeiros legítimos. Todavia,
deixando à parte questões legais e humanas, entremos na órbita espiritual.
Abraão deu toda a sua riqueza a Isaque, mas aos filhos das concubinas, deu apenas
presentes e não permitiu que morassem em Canaã. Por que? Porque Isaque subiu
obedientemente com o pai Abraão para ser imolado na terra de Moriá; levou a lenha
sobre seus ombros e com ele caminhou cerca de 40 kms sem nada questionar, sem se
acovardar e sem demonstrar timidez (Gn 22. 1-6).
Enquanto o crente não aceitar mergulhar nos projetos de Deus, ouvir a Sua voz e fazer
a Sua vontade, Deus não vai lhe conceder herança. É claro que Deus não abandona o
crente só porque está fraco na caminhada, mas não lhe dará mais do que presentes. A
sabedoria de Deus, a Sua criatividade e a Sua unção, somente serão entregues ao crente
que se aprofundar em fazer a Sua vontade e adotar uma vida íntegra.
A oferta tem vida. Quando Abraão levava Isaque para o sacrifício, a oferta que era
Isaque, se movia, falava e dizia: “Meu pai!, Eis o fogo e a lenha, mas onde está o
cordeiro para o holocausto?” (v. 7). Isaque de nada sabia, mas se soubesse diria:
“Talvez meu pai mude de idéia e coloque no meu lugar um camelo ou um jumento”!.
Enquanto isso, no Getsêmani, Jesus dizia: “Pai, se for possível não me ponhas na cruz,
contudo faça-se a Tua vontade” (Mt 26.42).
Quando levamos uma oferta ao altar, ela vai conversando conosco: “Com esse
dinheiro, eu poderia trocar o carro, empreender bons negócios, pagar uma dívida”. A
oferta tenta nos convencer a trocá-la por outra coisa, mas é o sacrifício que resulta no
direito de herança. O sacrifício não gera apenas presentes. Fazer a vontade de Deus é
que gera herança.